Frequentemente, nos círculos religiosos fundamentalistas, circula um falso moralismo teológico e quando o assunto é Russell Norman Champlin, isso fica mais acentuado. É falso moralismo porque não há, absolutamente, condições de se fazer uma boa exposição bíblica, um sermão com qualidade, sem a leitura e consulta de bons comentários bíblicos. Ninguém dúvida que os de Champlin são os melhores em língua portuguesa. Justamente porque foram pesquisados, escritos e formulados com rigor acadêmico, metodos de análise científica, profundo conhecimento das línguas originais, da história eclesiástica e das religiões comparadas. Sem a reunião de todos estes campos juntos, não podem nossos pastores e missionários expor com responsabilidade a Palavra de Deus (2a. Timóteo 2.15-17). E mesmo condenando, publicamente a giganteza acadêmica e espiritual de Russell Norman Champlin, entre quatro paredes, eles não tem outra alternativa se não entrar nas profundezas dos comentários e enciclopédias do teólogo brasileiro. Vamos superando as pedras do fanatismo e da caverna teológica.
Um segundo elemento nessa problemática toda é a origem dos nossos pastores e missionários. Dois são os métodos de formá-los. Seminários Teológicos, com cursos a nivel de ensino médio, com requisito mínimo de ensino fundamental e alguma experiência de vida em comunidade. Isso é trágico e destrutivo, não apenas para a cultura cristã, mas para o próprio desenvolvimento intelectual dos jovens que se preparam para o ministério. Isso dado, porque a natureza da escolarização brasileira é, historicamente, avessa aos estudos, à leitura, ao pensamento crítico e a produção de textos. Os seminários incorporam esse analfabetismo funcional e o aperfeiçoam com o ensino de dogmas restritos de suas denominações. Assim, o estudante e futuro pastor, aprende encaixar a Bíblia em suas convicções sem preocupaões históricas, teológicas e contextuais. Estes pastores, posteriormente, embriagados num falso puritanismo teológico, pautados na decoreba de passagens bíblicas, que confundem com o ensino doutrinário histórico e geral, serão os que cercearão seus membros de buscarem a revelação ampla de Deus, de forma aberta e livre. Inseguros, medrosos do conhecimento filosófico, sentem-se melhores ao colocarem, como o avestruz, a cabeça entre as pernas para não ver as variadas possibilidades do sagrado ao seu redor.
A outra espécie de formação são as faculdades teológicas, que no seio do protestantismo apenas cumprem as adequações do MEC ao ensino superior, mas reproduzem os vícios dos Seminários Teológicos convencionais. O resultado dessa formação medíocre é que nossos pastores se tornam homens incapazes de ensinar, de melhorar, de crescer e passam a vida estacionados em decorar versículos para suas comunidades, que por sua vez, se tornarão cristãos doentes intelectuais, que nem Bíblia leeem. (Hebreus 5.12-17).
(Parte 1)
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