terça-feira, 25 de junho de 2013

Por que estudar Champlin?

Boa tarde Acir, fico feliz de ter contato com alguém que conhece o Dr. Champlin. Quanto às nossas posições, por certo vão divergir. Embora eu não tenha a Bíblia como única fonte de verdade, a tenho como verdade revelada de Deus e única norma de fé e de conduta.
Eu me arrisco a escreve sobre assuntos difíceis e também sobre homens bem mais inteligentes que eu, apenas como meio de forçar minha mente a refletir, nem é porque me sinta capacitado para isso.
Grande abraço,
 
 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Antonio dos Passos Pereira: o universalismo de Russell Norman Champlin

O UNIVERSALISMO DE CHAMPLIN

Apesar de ser um dos teólogos mais consultados no Brasil e seus comentários de “Antigo e Novo Testamentos Interpretados Versículo por Versículo” serem muito usados no meio evangélico, sua posição sobre a salvação não é nada ortodoxa. Champlin se defende dizendo que sua concepção não é o universalismo absoluto, mas ele mesmo afirma em seu debate sobre o assunto com John Bentes, que:

Embora nem todos os seres humanos venham a ser redimidos, ainda assim há uma abençoada obra de restauração para todos os não-eleitos, que também é uma gloriosa obra do Redentor-Restaurador.1

Crendo que os benefícios da Expiação serão aplicados de forma diferenciada a todos os homens de todas as épocas e do mundo inteiro, Champlin estabelece uma diferença entre a redenção dos eleitos e a restauração dos não-eleitos.

A redenção inclui os mais elevados benefícios decorrentes da Expiação e se destina aos eleitos. Somente os eleitos a experimentam, tendo participação na imagem e natureza divinas e dos atributos de Deus. Os eleitos por ocasião da glorificação passarão por intermináveis estágios de glória e serão grandes em poder. Apenas um número muito pequeno de pessoas está incluído entre os eleitos.

A restauração, portanto, inclui todos os não-eleitos, seres não-humanos e coisas da criação. Neste nível os não-eleitos experimentarão benefícios inferiores da Expiação em relação ao eleitos. Eles não compartilharão da natureza divina, mas receberão vantagens que serão consideradas como perda em relação à glória dos crentes. Eles também se desenvolverão em níveis sucessivos de glória e terão utilidade a serviço de Cristo, mas jamais alcançarão o nível dos eleitos.

Champlin descarta a idéia de um julgamento retributivo. Para ele o julgamento tem o alvo de restaurar os perdidos. No entanto o julgamento não é remidor, será eterno como privação da redenção, mas não pode ser visto em termos de sofrimento. A idéia de inferno e sofrimento é tida por Champlin como “a maior distorção da verdade jamais vista em toda a história da Igreja.”2

É incoerente a idéia de uma restauração generalizada da raça humana, visto que o próprio Cristo ensinou a doutrina da condenação eterna do impenitente. Paulo, na carta aos Romanos, também usada pelos universalistas para defender a restauração universal, afirma que Deus retribuirá a cada um segundo o Seu procedimento (Rm. 2:5-9), concedendo aos ímpios tribulação e angústia em oposição à vida eterna que será dada aos crentes. Assim ele contraria tanto a possibilidade de uma restauração total como de um julgamento não-retributivo.

Não procede também a afirmação de que o amor de Deus seja incapaz de punir o pecador por causa de Sua justiça, quando as Escrituras afirmam que Cristo morreu para cumprir a justiça da lei e que o pecador é passível de punição por causa de sua culpa. As mesmas Escrituras que exaltam o amor divino, não deixam por menos Sua ira que se manifesta contra a impiedade e perversão dos homens (Rm. 1:18).

Sobre o que afirmam a respeito de restauração na eternidade, Hb. 9:27 deixa claro que após a morte vem o juízo. A Bíblia não ensina em nenhuma de suas partes a restauração além túmulo. As possibilidades de redenção são restritas à vida, quando o pecador pode receber por meio da fé a salvação em Jesus Cristo. Portanto, não é coerente com o ensino bíblico a afirmação de que todos os homens serão salvos, quer seja em vida quer após a morte. Especialmente o Novo Testamento é claro quanto à reprovação definitiva do pecador que não crer para a salvação.

O universalismo tem uma visão muito romântica do caráter de Deus, especialmente no que diz respeito ao Seu amor. Esta tentativa humana de explicar o propósito e a extensão da Expiação fora do que o ensino essencialmente bíblico e evangélico prega, reflete o desejo de cada evangelista compassivo que almeja a salvação de cada ser humano que se perde nas trevas do pecado. Humanamente falando, o universalismo seria perfeito, se fosse bíblico. Roger Nicole, teólogo reformado e defensor da ortodoxia cristã, revela sua empolgação pelo universalismo se este pudesse se comprovar bíblico, ao afirmar:

Eu seria imensamente feliz se as Escrituras pudessem ser interpretadas de forma a revelar que todas as pessoas serão salvas. Seria maravilhoso, e eu me alegraria sem nenhum tipo de constrangimento. 3

E prossegue:

Mas simplesmente não parece possível ver as Escrituras desta forma. Deus deixou muito claro que haverá um julgamento no qual algumas pessoas serão salvas e outras perdidas. Ao reconhecer isto, evangélicos de qualquer linha teológica concordam que no final haverá algumas pessoas perdidas e que, portanto, a obra de Cristo de fato não efetua a salvação da totalidade da raça humana.4

1 CHAMPLIN e BENTES, 1991, p. 679.
2 CHAMPLIM, 1995, p. 539-540.
3 NICOLE, 2002, p.59.
4 Ibidem.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Russell Norman Champlin: conhecimento, bíblia, ciência, espiritualidade e homoafetividade


Façamos, entusiasta e inteligentemente, pesquisas sobre o pensamento e a obra do Dr. Russell Champlin. Examinemos tudo, retenhamos o que é bom.

Russell Norman Champlin e o problema da Trindade no batismo

Batismo. A fórmula trinitariana existe em Mat 28.19 em todos os manuscritos. Tenho um livro que alista 2000 variantes no Novo Testamento e naquela publicação não há nenhuma evidência de que a fórmula trinitariana em Mateus fosse uma interpolação. Por outro lado, a data mais provável do Evangelho de Mateus é mais ou menos 80-85 d.C.

Parece que o batismo originalmente foi efetuado simplesmente no nome de Jesus. Então, pode ser que o Evangelho de Mateus represente um tempo mais tarde quando a fórmula trinitariana tinha se tornado a prática. A própria doutrina da Trindade foi um desenvolvimento teológico bem distante do tempo de Jesus. O texto de prova em favor dessa doutrina, I João 5.7, certamente foi uma interpolação.

Orígines, no século III d.C., brindou-nos com uma formulação ortodoxa da Trindade, antes de ela tornar-se generalizada na Igreja cristã. Mas bem antes do tempo dele, a divindade do Filho era ensinada e tinha o apoio de um bom número de versículos do Novo Testamento.

Parece-me que a doutrina da Trindade era uma tentativa de evitar o politeísmo. Também, parece-me certo dizer que a fórmula trinitariana é uma forma de antropoformismo que faz Deus compartilhar elementos e interrelações humanas: pai, mãe e filho, tão comum na teologia grega como na romana. Aí temos pais, mães e filhos divinos. Tais conceitos foram obviamente politeístas.

Para evitar o politeísmo, eis a fórmula trinitariana! Toda esta luta sobre a doutrina da Trindade é interessante, mas inútil na minha opinião. Nossa doutrina de Deus dificilmente descreve muita coisa que expressa a verdade: Deus é o Mysterium Tremendum. Se quiser fazer Deus rir, fala pra ele que você entende o mistério da pessoa Dele. Sabemos mais sobre as obras de Deus. A verdadeira natureza de Deus está além da nossa teologia e também dos nossos poderes de raciocínio.

O problema da Trindade é que faz pouco sentido. Normalmente as explicações desta doutrina caem no triteísmo. Como uma pessoa pode ser uma e três ao mesmo tempo parece ridículo. Nenhuma definição que eu tenho visto da Trindade faz sentido.

(Entrevista concedida ao historiador Acir da Cruz Camargo em 29 de abril de 2013).