quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Controvérsias na obra de Russell Norman Champlin e o preconceito religioso

Deixo de nominar os preconceitos e prevenções de alguns líderes denominacionais com a produção acadêmica do teólogo Russell Norman Champlin como teológicos. Em teologia não há espaço para preconceitos, visto que ela estuda o mundo espiritual, o ser supremo à luz das interpretações que percorreram a história da humanidade, se possível de seu início até os avanços científicos dos nossos tempos. O teólogo está obrigado a tomar contato, pesquisar, ensinar todas as interpretações possíveis, ainda que não lhe seja negado tomar a posição que melhor represente o conjunto de argumentos que colheu.

Quando foi lançada a coleção "O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO", custeada pelo próprio Russell Norman Champlin, um dos luminares do pensamento fundamentalista, Jerry Leonard, do Seminário Batista do Cariri, escreveu uma crítica acadêmica e não rancorosa a respeito do comentário inédito na língua portuguesa, admitido pelo próprio teólogo do movimento batista regular. Leonard apenas recomendava cuidados aos pastores batistas fundamentalistas em relação a posições assumidas aqui ou ali, em algumas passagens, por Champlin, que segundo ele, se originavam das idéias do movimento modernista que varrera os Estados Unidos. Aquele que se dispusse a ler o comentário na íntegra ou nas passagens controvérsas, cedo se daria conta que era infundada a preocupação do Dr. Jerry, também erudito do idioma grego koinê. Champlin não abraçava crenças modernistas, ao contrário, se opunha a tantas delas. Mesmo assim, o fundador do Seminário Batista do Cariri, considerava valiosa a contribuição de Champlin ao traduzir comentários bíblicos inéditos, que ainda estavam na língua inglesa, tanto quanto a exposição da maioria das palavras do Novo Testamento grego que, em português, não tinham produzido igual. Ou seja, reconhecia que a obra teológica de Champlin é "de referência", para consulta. Não se trata de um livro-declaração de fé. Seus comentários não tem a pretensão de serem um catecismo doutrinário, até porque o próprio autor, não aprecia fazer escola, ampliar seguidores e discípulos e que nem é discípulo de algum pensador ou corrente teológica.

Prestemos atenção ao efeito positivo que teve a reação contrária e equivocada com a produção acadêmica do teólogo brasileiro. Champlin deixou com a sociedade brasileira, com as escolas de formação, com os pastores e religiosos, na tradução, a contribuição de comentaristas abalisados e famosos no decorrer dos séculos, como John Gill, Adam Clarck e John Flipse Warwood. Estes comentários estão disponíveis em língua portuguesa, talvez, numa tentativa de bloquear a influência de Champlin na formação dos pensadores cristãos brasileiros, no entanto, as edições trazem comentários descontextualizados, defeito que está corrigido na obra champliana, dado o profundo conhecimento que ele possui da nossa cultura e das nossas necessidades.

As controvérsias nos comentários, que desagradam as lideranças religiosas denominacionais, não aos teólogos porque o espírito crítico, a diversidade e o debate marcam os afetos à esta ciência social, são diversas. Quando o preconceito vem do religioso, sem estudo profundo, sem conhecimento de história cristã e sem conhecimentos de arqueologia, mínimos que sejam, o desprezo aos argumentos de Champlin soam como fechar os ouvidos para reconhecer a falta de coragem de se contrapor as idéias do autor. Nossas escolas de formação de pastores não possuem sólida, sistemática e acadêmica matéria de História e Filosofia da fé cristã. Pastores e não especialistas, costumazes à pesquisa se apoderam do seu conteúdo. Essa inapropriedade faz com que Champlin seja tratado à luz de acoplação de versículos e trissículos, conforme escreveu o dramaturgo, Mauro Santos.

Quais seriam estas controvérsias? crenças espiritualistas, desagrado aos calvinistas e arminianos, milenarismo, inerrância e infalibilidade das Escrituras. As coisas se alongam. Só para destacar a relevância da posição de Champlin e o risco de ignorarmos as posições e teses que emergem de seus "Comentários", menciono a doutrina da reencarnação. Russell Norman o faz como teólogo. Poderia um pastor fundamentalista suprimir a informação de que a reencarnação foi sempre uma crença recorrente no judaísmo antigo? Nada recomendável, porque sempre falamos das tradições dos fariseus e dos saduceus, sem qualquer parcimônia, mas seria bom que pudéssemos contar aos nossos ouvintes. No entanto, o teólogo, que trabalha com a produção do conhecimento filosófico-religioso, que constata através da pesquisa documental, arqueológica e cultural, não deve fazê-lo, sob a pena de ser desonesto intelectualmente. Conforme o rabino Dor Leon Attar, dorleonattar1@gmail.com a crença na reencarnação foi sempre parte integrante e fundamental da fé judaica e os rabinos, em sua tradição paralela, criam que os personagens bíblicos (Noé, Abraão, Moisés, Davi) foram reencarnações. Dr. Russell não criou essa posição, que durante a história, foi negada por certos segmentos do cristianismo. Os comentários do autor de "Os últimos quarenta anos finais da Terra" simplesmente colocam o estudioso diante desta informação, mas não o induz a acreditar. Entretanto, como homens responsáveis pela fé e pela busca da verdade, não devemos esconder do povo, que apesar das nossas preferencias doutrinárias, gostando ou não delas, na história se verificaram. Quem desejar conferir: http://www.youtube.com/watch?v=o_mdEKeRqjA








terça-feira, 15 de outubro de 2013

Divulgação dos livros de Russell Norman Champlin

Há preocupação e justa, de vender os comentários teológicos do Dr. Russell Norman Champlin. O próprio autor se incomoda com o efeito do preconceito teológico fundamentalista em relação à sua obra e o efeito que ela tenha sobre os negócios editoriais. Os que somos afetos ao círculo de pensamento do teólogo também nos ressentimos das dificuldades intelectuais e morais que marcam a sociedade brasileira e que impedem maior receptividade dos escritos dele. Evidentemente, queremos também que os negócios editoriais vão bem, que as edições se multipliquem, que os estudantes de filosofia, teologia, pastores, padres e todos que, auto-didactas, se debruçam na pesquisa da história, produção e interpretação das Escrituras Sagradas cristãs e judaicas tenham acesso a eles. Do Professor Champlin não restam livros escritos em outros tempos reeditados. Eu mesmo gostaria de ver o livro sobre interpretação de sonhos, revisto e reeditado. A crise no mercado editorial, ausência de quem enfrente riscos, para o próprio teólogo impedem uma empreitada assim. Mas existem boas e recentes editoras seculares voltadas ao mercado do livro espiritualista que estimuladas, reeditariam seus livros. Pessoalmente, não desisti de trabalhar pessoalmente nesse livro. Trata-se de uma obra que merece introdução e circulação em nossas faculdades de psicologia, medicina e psicanálise. Na crista da onda, circulam a Enciclopédia de teologia e filosofia, comentário do Antigo Testamento e o do Novo Testamento. A rigor, a produção e o espírito dos comentários sobre as Escrituras Judaicas saíram melhor, aprimoradas pelo amadurecimento intelectual do autor, calibradas pela pesada crítica que o "Novo Testamento interpretado" sofreu nos anos de ingresso. Estão necessitando de uma abalisada análise da comunidade judaica, aqui inclusos os ortodoxos, liberais e o judaísmo messiânico. Mas ponderemos sobre as dificuldades de circulação dos comentários escritos por Russell Norman Champlin.
Champlin é o profeta divino que aterrizou na Nínive latino-americana ou na Sodoma do hemisfério sul. Algum ente espiritual elevado que veio cumprir uma missão espinhosa nas terras de profunda ignorância, de calamitoso desprezo pelas letras, pela escola, pela pesquisa, terra de superstições, pobre de espírito e de mentalidades medievais reencarnadas. Champlin é o sinal de juízo para a nação brasileira, oferecendo-lhe a oportunidade de encontrar-se com a luz, com a centralidade do Evangelho que é o amor, a tolerância e o conhecimento. Numa terra tão inóspita, cheia de aves de rapina e exploradores da fé, nublada pela ignorância oriunda da leitura mecânica, deshistorizada de qualquer sistema religioso, principalmente o cristão, isso contribuiria para dificultar a livre circulação dos sérios, profundos, contundentes, comentários especializados escritos pelo Dr. Russell Norman Champlin. Mas este não é o principal problema da vendagem de seus livros. A cruzada fundamentalista, eivada de ódio teológico e da ausência de espírito crítico em nossos seminários de formação de pastores e religiosos, encontrou aliado bacana para a empreitada. O empenho, material utilizado, tradução, o ineditismo dos comentários, a quantidade e a qualidade das análises, rigor histórico, seriedade e profundidade das pesquisas, tornam as obras caríssimas para a maioria dos prospectivos usuários, pastores e padres. Sem dúvida, Norman Champlin é prejudicado pela crescente popularização do neopentecostalismo que despreza o estudo bíblico a troco do milagrismo, cuja desmistificação é contuntente nos comentários do teólogo unespiano. Para a média salarial dos nossos líderes eclesiásticos, a coleção é cara, e não há como torna-la mais barata, embora esforços como os do Sr. Erdos, no Paraná, sejam louváveis.
Champlin, aterrizou em terra brasileira, já afirmei e constatei as dificuldades disso. Além disso, fez ancoradouro no protestantismo latino-americano, que é eivado de concepções radicais, fundamentalismos, dogmatização do texto sagrado sem história, sem interpretação gramatical, que despreza o contexto histórico, o passado na formulação da teologia. Champlin não é católico, as faculdades de teologia do catolicismo são as únicas,realmente de teologia, mas não suportariam um intérprete que não se submete a autoridade de qualquer sistema religioso.
A expectativa é que Russell Norman Champlin, A enciclopédia de teologia, o Antigo Testamento interpretado e o Novo Testamento interpretado encontrem lugar especial, singular e recorrente na biblioteca particular de seminaristas, religiosos, pastores e todos que sonham com um cristianismo inteligente, social, transformador, disseminador do amor e da justiça, pluralista, inserido na cultura universal para aproximar os homens, não dos dogmas, mas do Divino.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Russell Norman Champlin: inspiração verbal-plenária

Vamos estudar, empenhadamente, o pensamento de Russell Champlin.

Falta aos seus detratores competência e conhecimento.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Por que estudar Champlin?

Boa tarde Acir, fico feliz de ter contato com alguém que conhece o Dr. Champlin. Quanto às nossas posições, por certo vão divergir. Embora eu não tenha a Bíblia como única fonte de verdade, a tenho como verdade revelada de Deus e única norma de fé e de conduta.
Eu me arrisco a escreve sobre assuntos difíceis e também sobre homens bem mais inteligentes que eu, apenas como meio de forçar minha mente a refletir, nem é porque me sinta capacitado para isso.
Grande abraço,
 
 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Antonio dos Passos Pereira: o universalismo de Russell Norman Champlin

O UNIVERSALISMO DE CHAMPLIN

Apesar de ser um dos teólogos mais consultados no Brasil e seus comentários de “Antigo e Novo Testamentos Interpretados Versículo por Versículo” serem muito usados no meio evangélico, sua posição sobre a salvação não é nada ortodoxa. Champlin se defende dizendo que sua concepção não é o universalismo absoluto, mas ele mesmo afirma em seu debate sobre o assunto com John Bentes, que:

Embora nem todos os seres humanos venham a ser redimidos, ainda assim há uma abençoada obra de restauração para todos os não-eleitos, que também é uma gloriosa obra do Redentor-Restaurador.1

Crendo que os benefícios da Expiação serão aplicados de forma diferenciada a todos os homens de todas as épocas e do mundo inteiro, Champlin estabelece uma diferença entre a redenção dos eleitos e a restauração dos não-eleitos.

A redenção inclui os mais elevados benefícios decorrentes da Expiação e se destina aos eleitos. Somente os eleitos a experimentam, tendo participação na imagem e natureza divinas e dos atributos de Deus. Os eleitos por ocasião da glorificação passarão por intermináveis estágios de glória e serão grandes em poder. Apenas um número muito pequeno de pessoas está incluído entre os eleitos.

A restauração, portanto, inclui todos os não-eleitos, seres não-humanos e coisas da criação. Neste nível os não-eleitos experimentarão benefícios inferiores da Expiação em relação ao eleitos. Eles não compartilharão da natureza divina, mas receberão vantagens que serão consideradas como perda em relação à glória dos crentes. Eles também se desenvolverão em níveis sucessivos de glória e terão utilidade a serviço de Cristo, mas jamais alcançarão o nível dos eleitos.

Champlin descarta a idéia de um julgamento retributivo. Para ele o julgamento tem o alvo de restaurar os perdidos. No entanto o julgamento não é remidor, será eterno como privação da redenção, mas não pode ser visto em termos de sofrimento. A idéia de inferno e sofrimento é tida por Champlin como “a maior distorção da verdade jamais vista em toda a história da Igreja.”2

É incoerente a idéia de uma restauração generalizada da raça humana, visto que o próprio Cristo ensinou a doutrina da condenação eterna do impenitente. Paulo, na carta aos Romanos, também usada pelos universalistas para defender a restauração universal, afirma que Deus retribuirá a cada um segundo o Seu procedimento (Rm. 2:5-9), concedendo aos ímpios tribulação e angústia em oposição à vida eterna que será dada aos crentes. Assim ele contraria tanto a possibilidade de uma restauração total como de um julgamento não-retributivo.

Não procede também a afirmação de que o amor de Deus seja incapaz de punir o pecador por causa de Sua justiça, quando as Escrituras afirmam que Cristo morreu para cumprir a justiça da lei e que o pecador é passível de punição por causa de sua culpa. As mesmas Escrituras que exaltam o amor divino, não deixam por menos Sua ira que se manifesta contra a impiedade e perversão dos homens (Rm. 1:18).

Sobre o que afirmam a respeito de restauração na eternidade, Hb. 9:27 deixa claro que após a morte vem o juízo. A Bíblia não ensina em nenhuma de suas partes a restauração além túmulo. As possibilidades de redenção são restritas à vida, quando o pecador pode receber por meio da fé a salvação em Jesus Cristo. Portanto, não é coerente com o ensino bíblico a afirmação de que todos os homens serão salvos, quer seja em vida quer após a morte. Especialmente o Novo Testamento é claro quanto à reprovação definitiva do pecador que não crer para a salvação.

O universalismo tem uma visão muito romântica do caráter de Deus, especialmente no que diz respeito ao Seu amor. Esta tentativa humana de explicar o propósito e a extensão da Expiação fora do que o ensino essencialmente bíblico e evangélico prega, reflete o desejo de cada evangelista compassivo que almeja a salvação de cada ser humano que se perde nas trevas do pecado. Humanamente falando, o universalismo seria perfeito, se fosse bíblico. Roger Nicole, teólogo reformado e defensor da ortodoxia cristã, revela sua empolgação pelo universalismo se este pudesse se comprovar bíblico, ao afirmar:

Eu seria imensamente feliz se as Escrituras pudessem ser interpretadas de forma a revelar que todas as pessoas serão salvas. Seria maravilhoso, e eu me alegraria sem nenhum tipo de constrangimento. 3

E prossegue:

Mas simplesmente não parece possível ver as Escrituras desta forma. Deus deixou muito claro que haverá um julgamento no qual algumas pessoas serão salvas e outras perdidas. Ao reconhecer isto, evangélicos de qualquer linha teológica concordam que no final haverá algumas pessoas perdidas e que, portanto, a obra de Cristo de fato não efetua a salvação da totalidade da raça humana.4

1 CHAMPLIN e BENTES, 1991, p. 679.
2 CHAMPLIM, 1995, p. 539-540.
3 NICOLE, 2002, p.59.
4 Ibidem.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Russell Norman Champlin: conhecimento, bíblia, ciência, espiritualidade e homoafetividade


Façamos, entusiasta e inteligentemente, pesquisas sobre o pensamento e a obra do Dr. Russell Champlin. Examinemos tudo, retenhamos o que é bom.

Russell Norman Champlin e o problema da Trindade no batismo

Batismo. A fórmula trinitariana existe em Mat 28.19 em todos os manuscritos. Tenho um livro que alista 2000 variantes no Novo Testamento e naquela publicação não há nenhuma evidência de que a fórmula trinitariana em Mateus fosse uma interpolação. Por outro lado, a data mais provável do Evangelho de Mateus é mais ou menos 80-85 d.C.

Parece que o batismo originalmente foi efetuado simplesmente no nome de Jesus. Então, pode ser que o Evangelho de Mateus represente um tempo mais tarde quando a fórmula trinitariana tinha se tornado a prática. A própria doutrina da Trindade foi um desenvolvimento teológico bem distante do tempo de Jesus. O texto de prova em favor dessa doutrina, I João 5.7, certamente foi uma interpolação.

Orígines, no século III d.C., brindou-nos com uma formulação ortodoxa da Trindade, antes de ela tornar-se generalizada na Igreja cristã. Mas bem antes do tempo dele, a divindade do Filho era ensinada e tinha o apoio de um bom número de versículos do Novo Testamento.

Parece-me que a doutrina da Trindade era uma tentativa de evitar o politeísmo. Também, parece-me certo dizer que a fórmula trinitariana é uma forma de antropoformismo que faz Deus compartilhar elementos e interrelações humanas: pai, mãe e filho, tão comum na teologia grega como na romana. Aí temos pais, mães e filhos divinos. Tais conceitos foram obviamente politeístas.

Para evitar o politeísmo, eis a fórmula trinitariana! Toda esta luta sobre a doutrina da Trindade é interessante, mas inútil na minha opinião. Nossa doutrina de Deus dificilmente descreve muita coisa que expressa a verdade: Deus é o Mysterium Tremendum. Se quiser fazer Deus rir, fala pra ele que você entende o mistério da pessoa Dele. Sabemos mais sobre as obras de Deus. A verdadeira natureza de Deus está além da nossa teologia e também dos nossos poderes de raciocínio.

O problema da Trindade é que faz pouco sentido. Normalmente as explicações desta doutrina caem no triteísmo. Como uma pessoa pode ser uma e três ao mesmo tempo parece ridículo. Nenhuma definição que eu tenho visto da Trindade faz sentido.

(Entrevista concedida ao historiador Acir da Cruz Camargo em 29 de abril de 2013).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A origem dos demônios nas Escrituras Cristãs

"Acreditava-se, entre o antigos, que os demônios são os espíritos de homens mortos, que viveram iniquamente, e que voltaram, procurando encontrar corpos mediante os quais pudessem satisfazer aos seus maus desejos, entre vivos. Essa é uma tradição judaica bem comum, tendo prevalecido no seio da igreja cristã até ao século V de nossa era. E alguns eruditos modernos, como Lange, o principal intérprete bíblico entre os luteranos, têm aceito esse ponto de vista. Além disso, muitos outros estudiosos modernos tem admitido essa idéia, acreditam  que os anjos caídos também são designados pelo termo "demônio" nas Escrituras.
Em parte alguma da Bíblia encontramos uma declaração que nos instrua sobre a origem dos demônios. Os estudos mais recentes indicam que os espíritos humanos de pessoas falecidas, bem como espíritos de outras categorias de ser, podem perseguir os vivos. E isso significaria que continua existindo um "mundo intermediario", que dá margem à existência dessas coisas, e que o estado eterno das almas não é penetrado por estas meramente por causa da morte física...O versículo que ora comentamos parece indicar que o termo "demônios" certamente inclui espíritos elevados, não-humanos, embora isso não signifique, necessariamente, que os homens humanos não sejam nunca enumerados entre as entidades que podem prejudicar aos vivos."
(Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, volume 4, pág. 159)

Pentecostalismo contemporâneo

O movimento moderno do pentecostalismo


"O Espírito Santo pode operar de diferentes modos com diferentes pessoas. Por isso mesmo, as línguas não precisam assinalar qualquer experiência. Deus pode fazer o que ele quer, e devemos procurá-lo para que faça conosco o que for de seu desejo, do modo que ele queira. Conhecer ao Espírito e ser cheio dele deveria ser mais importante para nós do que a defesa de qualquer dogma. Ao mesmo tempo, ao buscarmos o Espírito, precisamos ser suficientemente maduros para evitar os ESPÍRITOS ESTRANHOS; mas isso é, infelizmente, onde tem ruído por terra o movimento moderno da busca pelo Espírito Santo. De fato, muitos grupos evangélicos tornam-se piores do que aqueles que nada buscam do Espírito. Isso porque procuraram e encontraram - mas não o Espírito de Deus, e, sim, apenas espíritos. Alguns deles indiferentes, moralmente falando; mas outros excessivamente malignos. Não existe enhuma outra área da vida cristã que precise de maior investigação do que essa, sobre o buscar o Espírito de Deus, a fim de ser evtado o erro e a fim de ser recebida uma realidade espiritual boa. O século XX apanhou-nos com uma comunidade eclesiástica despreparada para levar a efeito essa busca acertada" (NT Interpretado, vol. 4, pág. 195).

Inspiração das Escrituras Cristãs

Inspiração Verbal das Escrituras Cristãs

"A inspiração das Escrituras, até a inspiração verbal, não exige que nenhum elemento humano entre no texto. Questões de gramática (boa e má), estilo, arranjo literário, escolha de vocabulário, lapsos de memória são os tipos de elementos humanos que entram." (Novo Testamento Interpretado - Volume 4, pág. 151).