segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sobre Russell Norman Champlin: ignorância ou preconceito?




Sou um estudioso das obras do Dr. Russell Norman Champlin e plenamente convicto de que a divulgação de seus livros, do conteúdo revolucionário de suas idéias é uma tarefa dignificante. Faz um bem a cultura brasileira, dignifica e enriquece a cultura teológica latino-americana. É uma poderosa ferramenta capaz de qualificar, robustecer as pregações nos púlpitos atualmente reduzidas a decoreba e justaposição de passagens bíblicas fora de contexto e interpretação. Minha recomendação é que, não apenas obreiros, pastores, estudantes, mas todos os cristãos possam examinar, devagarinho, respeitosa e inteligentemente as obras do Professor Russell Norman Champlin.
Fui aluno de um missionário batista regular, fundamenalista por convicção, que possuia e fornecia as melhores referências do Dr. Champlin, tendo sido colegas de faculdade e amigos por longa data. O Rev. C. A. Nickell faleceu recentemente nos Estados Unidos. Ele sempre destacou a agilidade intelectual, a responsabilidade acadêmica e a inegável erudição do jovem Champlin. A obra de Russell Norman Champlin sofre uma evolução, comum no curso de uma vida que vai amadurecendo e da qual nenhum ser humano escapa. Um ponto freqüente nos seus escritos e que, o fanatismo impede nossa mocidade recém formada em seminários e faculdades de teologia (questionáveis) é a presença do amor cristão, do princípio universal da tolerância, da colaboração, do entendimento do divino e do eterno. Champlin é o teólogo do amor. Extrai isso da sua experiência, que é a experiência da humanidade, do seu disciplinado esforço intelectual e do reconhecimento de que qualquer forma de conhecimento terreno sempre será humano, limitado e sujeito a revisão, felizmente.

Quis o destino que esse “apóstolo do amor e do preparo intelectual teológico” realizasse sua tarefa predestinativa a partir do Brasil. Se não fosse escandalizar os leitores, uns já odiosos com a obra do autor de “Antigo Testamento Interpretado”, eu diria, que karma. Somos o país avesso ao estudo. A população brasileira é a que menos compra livros e pouco lê. Triste quadro. Na maioria das igrejas evangélicas se cometem dois erros, aparentemente distantes, mas tão próximos em termos de armadilhas da ignorância: ninguém lê, nem ao menos a Bíblia ou se decora, se papagaiam passagens doutrinárias, isoladas, sem história, sem contexto, sem interpretação, como se a Bíblia fosse um livro de mágica, caído do céu encadernado, traduzido pelo Espírito Santo ou algum anjo. Dois males terríveis, o primeiro porque afasta qualquer possibilidade de crescimento espiritual e intelectual e o outro por confunde decoreba, transposição textual, aplicação incorreta e indevida de passagens, com fidelidade ao texto escrito.
O Dr. Champlin e pouquíssimos dos seus críticos pertencem à esfera do ensino universitário, acadêmico, onde se ensina, se exige e se pratica sistematização de teses, responsabilidade conceitual, discussão de idéias, posição e contraposição, consulta a variedade de fontes e espírito investigativo. Os livros de Champlin, escritos sob o rigor do ensino científico, da responsabilidade profissional e intelectual caíram na seara do espontaneísmo, do analfabetismo, da falta de leitura, da fé cega e sem investigação e da crença vulgar.  Maioria dos nossos seminaristas, pastores, jamais aprendeu o caminho percorrido do texto sagrado, os originais, da cultura nos quais foram produzidos, da história eclesiástica, da gramática histórica, da universalidade do conhecimento. Foram ensinados, como na Idade Média, que aquilo que está ali sempre esteve e qualquer pergunta é pecado mortal que conduz sem demora ao inferno. Nesse sentido, um confronto respeitoso e honesto com os escritos do Dr. Russell poderá elevar o nível do nosso conhecimento, subsidiar os nossos pastores e obreiros para um conhecimento mais histórico, real, proveitoso e prático nas comunidades. Aqueles que registraram a Deus como sua propriedade não apreciarão as provocações de Champlin, em compensação, continuarão se digladiando, quais as denominações que de fato possuem Deus. Para termos cristãos inteligentes e prósperos, é indispensável voltar-se para a exposição teológica encontrada nos livros expositivos de Champlin. Sem dúvida.
O ex-misssionário batista longe de ser um apóstata, embora esse vocáculo se aplique a todos, dependendo sempre do lado que se analisa, é um apóstolo de Cristo. Estamos diante de um grande homem, rico não apenas em conhecimento, mas dono de uma humildade que faz sofrer as prepotências dos nossos pastores modernos, cheios de estupidez e burrice e vaidosos por serem ignorantes em sobra. Lidamos muito mal com as controvérsias no Cristianismo. Fazemos de contas de que não existem. Dançamos e brilhamos numa falsa unidade. A maioria das passagens bíblicas em cujos comentários Champlin tanto escandaliza o fundamentalismo doentio, de há muito deixam de ser unanimidade entre nós. Autores cristãos famosos e respeitados no mundo teológico conservador assinalaram a aceitação de correntes interpretativas diversas das que alguns grupos denominacionais entendem como correto ou não. É só não fecharmos os olhos de propósitos como os touros. O exemplo citado da passagem de 1 Samuel 28. Teólogos de renome, cujas vinculações com outros ismos religiosos sempre estiveram fora de cogitação, já deixaram bem claro a possibilidade de abraçar a crença de que Samuel de fato apareceu. Por exemplo, C. I. Scofield, uma espécie de papa dos dispensacionalistas, que jamais pode ser confundido com um teólogo espírita, admite essa possibilidade.  Por que se criminaliza a análise que Champlin faz da passagem, sustentado por ampla e inquestionável pesquisa histórico-cultural?
Esta é apenas uma das tantas passagens que se pode discutir. O curioso é que, fazemos o mesmo caminho em passagens que colocam nossas denominações em situação de constrangimento, como 1 Timóteo 2:8-10 ou 1 Coríntios 11 e 14. Mas criticamos, recusamos Champlin em outras fazendo o mesmo.
Outra coisa, e a discussão promete ser longa e enfadonha. O que consideramos Teologia (ciência do Sagrado em perspectiva universal) com formação denominacional em Seminário. O teólogo pode e deve fornecer a quem lhe pergunta todas as possibilidades que o progresso do conhecimento religioso e teológico proporcionou aos homens a respeito daquele assunto. Por exemplo, como teólogo, ao ser perguntado sobre o que acontece ao homem depois da morte física, devo com toda honestidade colocar diante do meu entrevistador as teorias católicas, evangélicas, espíritas, animistas, xintoístas, budistas. Se sou padre então justifico a posição católica, se pastor a prostestante, mas o teólogo deve fornecer um leque maior de possibilidades. Precisamos entender que Teologia não é algo restrito ao Cristianismo. O Teólogo não existe só dentro do dogma e do limite cristão. A Teologia é universal, abrangente, não excludente.  A obra de Russell Champlin é teológica. Material de apoio. Deve ser examinada. Fornece riqueza de detalhes, aponta a história de todas as crenças, cuja realidade, independe de aceitarmos ou não. Toda doutrina, todo ensinamento, toda interpretação tem uma história a partir de quem escreveu e interpretou pela primeira vez. Isso não pode ser negado. Como isso aconteceu, nenhum comentário melhor do que Champlin faz. O texto bíblico tem uma trajetória, há um como chegou até nós. Eu me sentiria falso se omitisse dos que me ouvem as polêmicas para se constituir o Cânon das Escrituras, os debates, as preferências humanas a respeito dos livros bíblicos ou as controvérsias teológicas que existiram desde e entre o grupo apostólico, nem sempre perceptíveis aos olhos superficiais de quem lê a Bíblia como se ela não tivesse acontecido dentro da História humana. É o espírito diabólico do antiintelectualismo que Champlin denuncia e todos devemos fazê-lo, pelo menos, os estudantes sérios.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Controvérsias na obra de Russell Norman Champlin e o preconceito religioso

Deixo de nominar os preconceitos e prevenções de alguns líderes denominacionais com a produção acadêmica do teólogo Russell Norman Champlin como teológicos. Em teologia não há espaço para preconceitos, visto que ela estuda o mundo espiritual, o ser supremo à luz das interpretações que percorreram a história da humanidade, se possível de seu início até os avanços científicos dos nossos tempos. O teólogo está obrigado a tomar contato, pesquisar, ensinar todas as interpretações possíveis, ainda que não lhe seja negado tomar a posição que melhor represente o conjunto de argumentos que colheu.

Quando foi lançada a coleção "O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO", custeada pelo próprio Russell Norman Champlin, um dos luminares do pensamento fundamentalista, Jerry Leonard, do Seminário Batista do Cariri, escreveu uma crítica acadêmica e não rancorosa a respeito do comentário inédito na língua portuguesa, admitido pelo próprio teólogo do movimento batista regular. Leonard apenas recomendava cuidados aos pastores batistas fundamentalistas em relação a posições assumidas aqui ou ali, em algumas passagens, por Champlin, que segundo ele, se originavam das idéias do movimento modernista que varrera os Estados Unidos. Aquele que se dispusse a ler o comentário na íntegra ou nas passagens controvérsas, cedo se daria conta que era infundada a preocupação do Dr. Jerry, também erudito do idioma grego koinê. Champlin não abraçava crenças modernistas, ao contrário, se opunha a tantas delas. Mesmo assim, o fundador do Seminário Batista do Cariri, considerava valiosa a contribuição de Champlin ao traduzir comentários bíblicos inéditos, que ainda estavam na língua inglesa, tanto quanto a exposição da maioria das palavras do Novo Testamento grego que, em português, não tinham produzido igual. Ou seja, reconhecia que a obra teológica de Champlin é "de referência", para consulta. Não se trata de um livro-declaração de fé. Seus comentários não tem a pretensão de serem um catecismo doutrinário, até porque o próprio autor, não aprecia fazer escola, ampliar seguidores e discípulos e que nem é discípulo de algum pensador ou corrente teológica.

Prestemos atenção ao efeito positivo que teve a reação contrária e equivocada com a produção acadêmica do teólogo brasileiro. Champlin deixou com a sociedade brasileira, com as escolas de formação, com os pastores e religiosos, na tradução, a contribuição de comentaristas abalisados e famosos no decorrer dos séculos, como John Gill, Adam Clarck e John Flipse Warwood. Estes comentários estão disponíveis em língua portuguesa, talvez, numa tentativa de bloquear a influência de Champlin na formação dos pensadores cristãos brasileiros, no entanto, as edições trazem comentários descontextualizados, defeito que está corrigido na obra champliana, dado o profundo conhecimento que ele possui da nossa cultura e das nossas necessidades.

As controvérsias nos comentários, que desagradam as lideranças religiosas denominacionais, não aos teólogos porque o espírito crítico, a diversidade e o debate marcam os afetos à esta ciência social, são diversas. Quando o preconceito vem do religioso, sem estudo profundo, sem conhecimento de história cristã e sem conhecimentos de arqueologia, mínimos que sejam, o desprezo aos argumentos de Champlin soam como fechar os ouvidos para reconhecer a falta de coragem de se contrapor as idéias do autor. Nossas escolas de formação de pastores não possuem sólida, sistemática e acadêmica matéria de História e Filosofia da fé cristã. Pastores e não especialistas, costumazes à pesquisa se apoderam do seu conteúdo. Essa inapropriedade faz com que Champlin seja tratado à luz de acoplação de versículos e trissículos, conforme escreveu o dramaturgo, Mauro Santos.

Quais seriam estas controvérsias? crenças espiritualistas, desagrado aos calvinistas e arminianos, milenarismo, inerrância e infalibilidade das Escrituras. As coisas se alongam. Só para destacar a relevância da posição de Champlin e o risco de ignorarmos as posições e teses que emergem de seus "Comentários", menciono a doutrina da reencarnação. Russell Norman o faz como teólogo. Poderia um pastor fundamentalista suprimir a informação de que a reencarnação foi sempre uma crença recorrente no judaísmo antigo? Nada recomendável, porque sempre falamos das tradições dos fariseus e dos saduceus, sem qualquer parcimônia, mas seria bom que pudéssemos contar aos nossos ouvintes. No entanto, o teólogo, que trabalha com a produção do conhecimento filosófico-religioso, que constata através da pesquisa documental, arqueológica e cultural, não deve fazê-lo, sob a pena de ser desonesto intelectualmente. Conforme o rabino Dor Leon Attar, dorleonattar1@gmail.com a crença na reencarnação foi sempre parte integrante e fundamental da fé judaica e os rabinos, em sua tradição paralela, criam que os personagens bíblicos (Noé, Abraão, Moisés, Davi) foram reencarnações. Dr. Russell não criou essa posição, que durante a história, foi negada por certos segmentos do cristianismo. Os comentários do autor de "Os últimos quarenta anos finais da Terra" simplesmente colocam o estudioso diante desta informação, mas não o induz a acreditar. Entretanto, como homens responsáveis pela fé e pela busca da verdade, não devemos esconder do povo, que apesar das nossas preferencias doutrinárias, gostando ou não delas, na história se verificaram. Quem desejar conferir: http://www.youtube.com/watch?v=o_mdEKeRqjA








terça-feira, 15 de outubro de 2013

Divulgação dos livros de Russell Norman Champlin

Há preocupação e justa, de vender os comentários teológicos do Dr. Russell Norman Champlin. O próprio autor se incomoda com o efeito do preconceito teológico fundamentalista em relação à sua obra e o efeito que ela tenha sobre os negócios editoriais. Os que somos afetos ao círculo de pensamento do teólogo também nos ressentimos das dificuldades intelectuais e morais que marcam a sociedade brasileira e que impedem maior receptividade dos escritos dele. Evidentemente, queremos também que os negócios editoriais vão bem, que as edições se multipliquem, que os estudantes de filosofia, teologia, pastores, padres e todos que, auto-didactas, se debruçam na pesquisa da história, produção e interpretação das Escrituras Sagradas cristãs e judaicas tenham acesso a eles. Do Professor Champlin não restam livros escritos em outros tempos reeditados. Eu mesmo gostaria de ver o livro sobre interpretação de sonhos, revisto e reeditado. A crise no mercado editorial, ausência de quem enfrente riscos, para o próprio teólogo impedem uma empreitada assim. Mas existem boas e recentes editoras seculares voltadas ao mercado do livro espiritualista que estimuladas, reeditariam seus livros. Pessoalmente, não desisti de trabalhar pessoalmente nesse livro. Trata-se de uma obra que merece introdução e circulação em nossas faculdades de psicologia, medicina e psicanálise. Na crista da onda, circulam a Enciclopédia de teologia e filosofia, comentário do Antigo Testamento e o do Novo Testamento. A rigor, a produção e o espírito dos comentários sobre as Escrituras Judaicas saíram melhor, aprimoradas pelo amadurecimento intelectual do autor, calibradas pela pesada crítica que o "Novo Testamento interpretado" sofreu nos anos de ingresso. Estão necessitando de uma abalisada análise da comunidade judaica, aqui inclusos os ortodoxos, liberais e o judaísmo messiânico. Mas ponderemos sobre as dificuldades de circulação dos comentários escritos por Russell Norman Champlin.
Champlin é o profeta divino que aterrizou na Nínive latino-americana ou na Sodoma do hemisfério sul. Algum ente espiritual elevado que veio cumprir uma missão espinhosa nas terras de profunda ignorância, de calamitoso desprezo pelas letras, pela escola, pela pesquisa, terra de superstições, pobre de espírito e de mentalidades medievais reencarnadas. Champlin é o sinal de juízo para a nação brasileira, oferecendo-lhe a oportunidade de encontrar-se com a luz, com a centralidade do Evangelho que é o amor, a tolerância e o conhecimento. Numa terra tão inóspita, cheia de aves de rapina e exploradores da fé, nublada pela ignorância oriunda da leitura mecânica, deshistorizada de qualquer sistema religioso, principalmente o cristão, isso contribuiria para dificultar a livre circulação dos sérios, profundos, contundentes, comentários especializados escritos pelo Dr. Russell Norman Champlin. Mas este não é o principal problema da vendagem de seus livros. A cruzada fundamentalista, eivada de ódio teológico e da ausência de espírito crítico em nossos seminários de formação de pastores e religiosos, encontrou aliado bacana para a empreitada. O empenho, material utilizado, tradução, o ineditismo dos comentários, a quantidade e a qualidade das análises, rigor histórico, seriedade e profundidade das pesquisas, tornam as obras caríssimas para a maioria dos prospectivos usuários, pastores e padres. Sem dúvida, Norman Champlin é prejudicado pela crescente popularização do neopentecostalismo que despreza o estudo bíblico a troco do milagrismo, cuja desmistificação é contuntente nos comentários do teólogo unespiano. Para a média salarial dos nossos líderes eclesiásticos, a coleção é cara, e não há como torna-la mais barata, embora esforços como os do Sr. Erdos, no Paraná, sejam louváveis.
Champlin, aterrizou em terra brasileira, já afirmei e constatei as dificuldades disso. Além disso, fez ancoradouro no protestantismo latino-americano, que é eivado de concepções radicais, fundamentalismos, dogmatização do texto sagrado sem história, sem interpretação gramatical, que despreza o contexto histórico, o passado na formulação da teologia. Champlin não é católico, as faculdades de teologia do catolicismo são as únicas,realmente de teologia, mas não suportariam um intérprete que não se submete a autoridade de qualquer sistema religioso.
A expectativa é que Russell Norman Champlin, A enciclopédia de teologia, o Antigo Testamento interpretado e o Novo Testamento interpretado encontrem lugar especial, singular e recorrente na biblioteca particular de seminaristas, religiosos, pastores e todos que sonham com um cristianismo inteligente, social, transformador, disseminador do amor e da justiça, pluralista, inserido na cultura universal para aproximar os homens, não dos dogmas, mas do Divino.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Russell Norman Champlin: inspiração verbal-plenária

Vamos estudar, empenhadamente, o pensamento de Russell Champlin.

Falta aos seus detratores competência e conhecimento.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Por que estudar Champlin?

Boa tarde Acir, fico feliz de ter contato com alguém que conhece o Dr. Champlin. Quanto às nossas posições, por certo vão divergir. Embora eu não tenha a Bíblia como única fonte de verdade, a tenho como verdade revelada de Deus e única norma de fé e de conduta.
Eu me arrisco a escreve sobre assuntos difíceis e também sobre homens bem mais inteligentes que eu, apenas como meio de forçar minha mente a refletir, nem é porque me sinta capacitado para isso.
Grande abraço,
 
 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Antonio dos Passos Pereira: o universalismo de Russell Norman Champlin

O UNIVERSALISMO DE CHAMPLIN

Apesar de ser um dos teólogos mais consultados no Brasil e seus comentários de “Antigo e Novo Testamentos Interpretados Versículo por Versículo” serem muito usados no meio evangélico, sua posição sobre a salvação não é nada ortodoxa. Champlin se defende dizendo que sua concepção não é o universalismo absoluto, mas ele mesmo afirma em seu debate sobre o assunto com John Bentes, que:

Embora nem todos os seres humanos venham a ser redimidos, ainda assim há uma abençoada obra de restauração para todos os não-eleitos, que também é uma gloriosa obra do Redentor-Restaurador.1

Crendo que os benefícios da Expiação serão aplicados de forma diferenciada a todos os homens de todas as épocas e do mundo inteiro, Champlin estabelece uma diferença entre a redenção dos eleitos e a restauração dos não-eleitos.

A redenção inclui os mais elevados benefícios decorrentes da Expiação e se destina aos eleitos. Somente os eleitos a experimentam, tendo participação na imagem e natureza divinas e dos atributos de Deus. Os eleitos por ocasião da glorificação passarão por intermináveis estágios de glória e serão grandes em poder. Apenas um número muito pequeno de pessoas está incluído entre os eleitos.

A restauração, portanto, inclui todos os não-eleitos, seres não-humanos e coisas da criação. Neste nível os não-eleitos experimentarão benefícios inferiores da Expiação em relação ao eleitos. Eles não compartilharão da natureza divina, mas receberão vantagens que serão consideradas como perda em relação à glória dos crentes. Eles também se desenvolverão em níveis sucessivos de glória e terão utilidade a serviço de Cristo, mas jamais alcançarão o nível dos eleitos.

Champlin descarta a idéia de um julgamento retributivo. Para ele o julgamento tem o alvo de restaurar os perdidos. No entanto o julgamento não é remidor, será eterno como privação da redenção, mas não pode ser visto em termos de sofrimento. A idéia de inferno e sofrimento é tida por Champlin como “a maior distorção da verdade jamais vista em toda a história da Igreja.”2

É incoerente a idéia de uma restauração generalizada da raça humana, visto que o próprio Cristo ensinou a doutrina da condenação eterna do impenitente. Paulo, na carta aos Romanos, também usada pelos universalistas para defender a restauração universal, afirma que Deus retribuirá a cada um segundo o Seu procedimento (Rm. 2:5-9), concedendo aos ímpios tribulação e angústia em oposição à vida eterna que será dada aos crentes. Assim ele contraria tanto a possibilidade de uma restauração total como de um julgamento não-retributivo.

Não procede também a afirmação de que o amor de Deus seja incapaz de punir o pecador por causa de Sua justiça, quando as Escrituras afirmam que Cristo morreu para cumprir a justiça da lei e que o pecador é passível de punição por causa de sua culpa. As mesmas Escrituras que exaltam o amor divino, não deixam por menos Sua ira que se manifesta contra a impiedade e perversão dos homens (Rm. 1:18).

Sobre o que afirmam a respeito de restauração na eternidade, Hb. 9:27 deixa claro que após a morte vem o juízo. A Bíblia não ensina em nenhuma de suas partes a restauração além túmulo. As possibilidades de redenção são restritas à vida, quando o pecador pode receber por meio da fé a salvação em Jesus Cristo. Portanto, não é coerente com o ensino bíblico a afirmação de que todos os homens serão salvos, quer seja em vida quer após a morte. Especialmente o Novo Testamento é claro quanto à reprovação definitiva do pecador que não crer para a salvação.

O universalismo tem uma visão muito romântica do caráter de Deus, especialmente no que diz respeito ao Seu amor. Esta tentativa humana de explicar o propósito e a extensão da Expiação fora do que o ensino essencialmente bíblico e evangélico prega, reflete o desejo de cada evangelista compassivo que almeja a salvação de cada ser humano que se perde nas trevas do pecado. Humanamente falando, o universalismo seria perfeito, se fosse bíblico. Roger Nicole, teólogo reformado e defensor da ortodoxia cristã, revela sua empolgação pelo universalismo se este pudesse se comprovar bíblico, ao afirmar:

Eu seria imensamente feliz se as Escrituras pudessem ser interpretadas de forma a revelar que todas as pessoas serão salvas. Seria maravilhoso, e eu me alegraria sem nenhum tipo de constrangimento. 3

E prossegue:

Mas simplesmente não parece possível ver as Escrituras desta forma. Deus deixou muito claro que haverá um julgamento no qual algumas pessoas serão salvas e outras perdidas. Ao reconhecer isto, evangélicos de qualquer linha teológica concordam que no final haverá algumas pessoas perdidas e que, portanto, a obra de Cristo de fato não efetua a salvação da totalidade da raça humana.4

1 CHAMPLIN e BENTES, 1991, p. 679.
2 CHAMPLIM, 1995, p. 539-540.
3 NICOLE, 2002, p.59.
4 Ibidem.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Russell Norman Champlin: conhecimento, bíblia, ciência, espiritualidade e homoafetividade


Façamos, entusiasta e inteligentemente, pesquisas sobre o pensamento e a obra do Dr. Russell Champlin. Examinemos tudo, retenhamos o que é bom.